Se Deus quisesse realmente resolver riscar os homossexuais do mapa, Ele já não poderia ter feito como fez com Sodoma e Gomorra? Se quisesse se livrar dos judeus, não poderia ter simplesmente evitado que Abraão engravidasse Sara e iniciasse a civilização hebraica?
Será mesmo que essa gente acha que Deus precisa deles para resolver as suas coisas? Ou o que ocorre aqui é uma tentativa ordinária de manipular as pessoas usando o nome de Deus?
Será que Deus precisa de mim? Não, ele não precisa. Quem precisa de mim é o meu próximo. Quem precisa de mim é a viúva desamparada, o menino de rua, o drogado na sarjeta, o aidético, a menina prostituída por falta de perspectivas ou mesmo pessoas com histórias de vida menos dramáticas, mas tão sedentas de amor e cuidado quanto todas as citadas anteriormente.
Infelizmente, espezinhar, apontar o dedo e criticar é muito mais fácil do que estender a mão. As pessoas cumprem à risca todos os mandamentos da Bíblia, menos o amar o próximo como a si mesmo. Falta aos cristãos o que a filosofia e a psicologia chamam de empatia, que é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, de pensar como o outro. O pastor Silas Malafaia disse recentemente em seu twitter: "Quando criticamos a prática homossexual, os gays ficam indignados". Ora, quem não fica indignado quando a sua prática é criticada? Os crentes também ficam indignados quando seus usos e costumes são rechaçados. Quem já foi perseguido por causa de sua religião (os cristãos), deveria ser mais empático e compreender melhor o quanto é ruim ter vetado o direito de viver uma vida feliz seguindo aquilo que lhe faz bem.
O mesmo pastor se afirma contra leis como a que criminaliza a homofobia porque quer ter o direito de falar contra o homossexualismo em sua igreja. Pra quê??? O que eu gostaria de saber é por que não usar o tempo gasto em criticar o outro para proferir palavras de paz a quem precisa. Por que essa necessidade de defender Deus e o seu Reino como se Ele fosse um coitadinho? Por que esse prazer tão miserável em criticar a vida alheia? Por que a necessidade de apontar o pecado alheio? Com quem esse povo aprendeu isso? De uma coisa eu sei: Com Jesus não foi.
O que eu percebo é que toda vez que o homem tenta se colocar no lugar de Deus, ele é cruel. O homem só consegue olhar para o próximo com o olhar de condenação. Parece-me que o fato de 'demonizar' o outro e suas práticas traz a sensação refrescante e reconfortante da santidade. Quanto mais o outro parece pecador, mais santo eu me sinto. Toda vez que o homem quer encarnar Deus, o Deus que nele se manifesta é o Deus sanguinário, destruidor e juiz do Velho Testamento, nunca o Deus de amor e perdão manifesto na pessoa de Jesus. Sobre isso, Blaise Pascal já dizia: "Os homens nunca fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa."
Em nome de suas convicções religiosas as pessoas agridem verbalmente, estereotipam, atacam e até matam. Estes, nada mais são do que gente covarde que assenta-se sobre um trono religioso e esconde-se detrás de um manto de moralidade e espiritualidade para destilar o seu fel. Vejo o virulento pastor Silas Malafaia chamando os outros de otários, imbecis ou idiotas na TV ou internet. Jesus, que deveria ser o seu modelo, nunca fez isso. A Bíblia fala que Jesus andava, conversava e comia com pecadores, coisas que os religiosos da sua época não faziam. Sabe o que eu acho mais maravilhoso? Se você revirar os evangelhos nunca encontrará Jesus agredindo nenhum pecador. Maria Madalena, a mulher adúltera, o publicano ladrão, Pedro que o traiu... nenhum foi xingado ou destratado por ele. Por incrível que pareça, a ira de Jesus só se derramou contra os hipócritas religiosos da época, a quem ele chamou de raça de víboras e de sepulcros caiados, lindos por fora, mas contendo podridão em seu interior.
O ÚNICO grupo que Jesus criticou abertamente nos evangelhos foi o grupo dos religiosos hipócritas. Preciso dizer mais alguma coisa?
(By Roney Torres)
De: Fatima Ampessan
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